O novo coronavírus, agora espalhado pelas cidades menores do interior do Brasil, corre o risco de retornar às principais cidades em um chamado “efeito bumerangue”, pois a falta de tratamento médico especializado leva os pacientes aos grandes centros urbanos.

O impacto de uma segunda onda potencial de novos casos em centros urbanos pode complicar as tentativas de reabrir negócios e retomar a economia, avaliaram especialistas ouvidos pela Agência Reuters.

O Brasil, sede do segundo pior surto de coronavírus do mundo, atrás dos Estados Unidos, tem mais de 1,2 milhão de casos do vírus, que matou mais de 56 mil pessoas. Na maioria dos dias, está se espalhando mais rapidamente no Brasil do que nos EUA.

Acredita-se que o vírus chegou inicialmente ao Brasil através de aeroportos e se espalhou principalmente em suas maiores cidades, mas desde o final de maio vem se espalhando mais rapidamente no interior do país.

Na semana passada, 60% dos novos casos foram registrados em cidades menores, segundo dados do Ministério da Saúde. As mortes também estão aumentando fora das principais cidades e agora representam cerca de metade de todas as mortes diárias no Brasil.

A resposta do Brasil à COVID-19 tem sido criticada por muitos especialistas em saúde, pois o presidente Jair Bolsonaro minimizou a gravidade da doença, mostrou indiferença ao crescente número de mortes e promoveu o remédio não comprovado hidroxicloroquina.

Foco nas rodovias
À medida que o vírus se espalha para fora das maiores cidades brasileiras, os médicos enfrentam restrições. Apenas cerca de 10% dos municípios brasileiros possuem unidades de terapia intensiva, segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Isso significa que pacientes gravemente doentes precisam ser transportados para cidades maiores.

Os padrões estão causando preocupação com a sobreposição de curvas, pois cidades como São Paulo e Rio de Janeiro aparentemente passam seus picos e caem, enquanto cidades menores ainda estão em ascensão.

Alguns especialistas dizem que a propagação do vírus deveria ter sido melhor contida a princípio. Agora, uma possível opção de mitigação é criar postos de controle de testes nas rodovias, explicou Christovam Barcellos, do Instituto de Comunicação, Informação Científica e Tecnologia em Saúde da Fiocruz.

“Identificar a pessoa que vai levar o vírus a um lugar é positivo, é o mínimo que podemos fazer”, disse Barcellos à Agência Reuters.

Com informações do Sputnik

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