Com a suspensão de voos entre Portugal e Brasil prorrogada desta segunda-feira (15) até 1º de março, muitos brasileiros já enfrentam dificuldades financeiras para se manter em solo lusitano. Alguns, inclusive, precisam dormir na rua, pois não têm dinheiro para qualquer tipo de hospedagem.

A mineira Cindy Oliveira Romão enfrentou essa situação até ser acolhida por uma família de brasileiros em um apartamento em Lisboa. Ela trabalhava como cuidadora de idosos, mas perdeu o emprego após contrair COVID-19. Sem trabalho nem dinheiro, foi despejada do quarto que alugava por falta de pagamento. Mandou um e-mail para o Consulado-Geral do Brasil em Lisboa pedindo ajuda para regressar ao seu país, mas ainda não obteve resposta.

Por ter crédito em uma companhia aérea, ela possuía direito a uma passagem de volta para Campinas, inicialmente prevista para 6 de fevereiro, mas, com o decreto que entrou em vigor no dia 29 de janeiro suspendendo os voos em função do agravamento da pandemia, acabou ficando retida em Portugal.

Um novo decreto passou a vigorar nesta segunda-feira (15), renovando a suspensão. Cindy chegou a entrar em contato com o Centro Nacional de Apoio à Integração de Migrantes (CNAIM), mas também não teve êxito

Associação Brasileira em Portugal pede apoio ao Exército

Cindy não é a única nessa situação. Uma lista de mais de 340 brasileiros que tentam regressar para casa foi encaminhada pela Associação Brasileira em Portugal (ABP) ao Exército do Brasil na manhã desta terça-feira (16). No ofício dirigido ao general Eduardo Antônio Fernandes, do Comando Militar do Sudeste, Ricardo Amaral Pessôa, presidente da ABP, pede o apoio das Forças Armadas.

“Solicito encarecidamente a Vossa Excelência a possibilidade de direcionar este apelo às autoridades competentes, com a finalidade de disponibilizar voos de repatriamento (voos governamentais) ou realizar gestões junto ao governo de Portugal no sentido de possibilitar o retorno urgente dos brasileiros retidos no país, que se encontram em situação desumana e sem qualquer apoio do Consulado-Geral do Brasil em Lisboa”, lê-se em um trecho do documento.

Amaral Pessôa, que também preside o Conselho de Cidadãos Brasileiros em Lisboa, diz que a lista tem crescido rapidamente. As pessoas têm enviado vídeos pedindo a ajuda dele e também preenchido um formulário com dados como nome, endereço em Portugal, telefone e empresa aérea para aqueles que tenham passagem comprada. Alguns casos são mais complicados.

A brasiliense Maria Tereza Constantino Ferreira também está nessa lista. Desempregada desde dezembro, quando o restaurante em que trabalhava em Lisboa a demitiu em função da pandemia de COVID-19, ela comprou passagem de Lisboa para Brasília para 11 de fevereiro, mas teve o voo cancelado e remarcado para 4 de março.

Em entrevista à Sputnik Brasil, ela conta que precisou entregar o apartamento onde morava e está hospedada na casa de amigos. Para piorar a situação, nesse meio tempo, descobriu que o pai está com câncer e passou por uma cirurgia. Por isso, a sua urgência em voltar ao Brasil.