Se você pensou em engrossar o coro dos reclamantes, de que o relatório do Pentágono sobre UAPs/UFOs não disse coisa alguma de importante ou nova, sugiro que pare um minuto e reflita novamente. Mesmo porque, provavelmente, o mais importante não está dito — ao menos não explicitamente — no documento, mas está subentendido.

A maior força bélica do planeta, o aparato de inteligência notoriamente considerado o melhor preparado tecnologicamente para cuidar de seu espaço aéreo e de seus mares, simplesmente disse ter investigado pelo menos 144 episódios UAP para os quais sensores e observadores captaram dados suficientes para uma primeira análise. E não conseguiu de maneira objetiva definir ou elucidar sua natureza.

Do total de casos, para apenas um deles logrou de fato chegar a uma explicação plausível. Apenas um. A partir daí, o relatório preliminar sobre UAPs do Pentágono desdobra-se em ilações para tentar apresentar “prováveis padrões”, de “potenciais classificações”. As aspas são propositais, sim: repare o nível de suposição!

Logo de início o documento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos esclarece que, apesar dos padrões, não foi capaz de enquadrar necessariamente nenhum dos 143 casos restantes nas suas próprias “prováveis classificações”.

Aliás, aqui sim, uma constatação que não traz novidade. Desde 1947 os ufólogos civis vem buscando classificar e categorizar os casos e relatos justamente na tentativa de separar um fenômeno real (seja o que quer que seja), para o qual NÃO HÁ EXPLICAÇÃO (ainda), dos erros de interpretação e ocorrências prosaicas. E óbvio: mesmo estes ufólogos jamais esperariam que o Pentágono agora, de uma hora para outra, dissesse que concluiu que se tratam de alienígenas, seres dimensionais, viajantes temporais ou qualquer outra explicação alternativa.

Mas até agora os ufólogos vinham fazendo sua pesquisa no âmbito do “nicho”, dos grupos de entusiastas. Uma atividade considerada, na melhor das hipóteses, uma excentricidade. Mas aí veio a Força Tarefa UAP (UAPTF) do Pentágono e seu relatório ao Congresso dos EUA. E a maior força tecnológica do planeta, com seus sensores, verbas e cérebros, debruça-se sobre uma coletânea de casos selecionados, com testemunhas qualificadas e registros de diferentes sensores, e simplesmente não consegue apresentar uma explicação — simples ou complexa — depois de 6 meses (no mínimo) de análise dedicada e detalhada.

Então agora sugiro a você que avalie, descompromissadamente, o quanto o noticiário regular, não especializado, tem falado sobre o fenômeno UFO nos últimos seis meses; e a partir de agora… Qual tem sido a abordagem? É séria ou a tradicional retórica “anedótica” do passado?

E a comunidade cética, de que forma abordou o relatório? Mostrou-se satisfeita com a inconclusividade das análises? Ganharam elementos para simplesmente descredenciar todas as testemunhas militares e os registros dos inúmeros sensores? Bem, pelo menos aqueles mais espertos não vão poder simplesmente ignorar de onde veio a análise e com que dados…

Para quem, antes de avaliar os dados, simplesmente batia no peito e descredenciava todo o histórico da Ufologia, com seus registros bizarros (sim!) e testemunhos (alguns múltiplos e coletivos) improváveis — mas reais, a situação não ficou nada confortável.

Essa parte não está exatamente descrita no relatório e você provavelmente não viu. Mas acredite, ela está lá, nas entrelinhas. E os desdobramentos seguintes mostram que a pesquisa séria vai continuar, agora sem o estigma de 70 anos de escárnio oficial planejado e desencorajamento do tema. E isso, por si só, é uma mudança gigantesca!

Fonte: Portal Vigilia

*O autor deste artigo, Jeferson Martinho, é jornalista e editor do Portal Vigília